Trilha Inca: A caminhada obrigatória

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Este não seria um dia comum. Geralmente, penso que não existem dias comuns, só pensamento e ideias comuns.
Este seria um daqueles dias que parecem durar mais, este seria um daqueles dias em que você só dorme três horas; pois, como em toda véspera de viagem, fazemos as malas na última hora, sem nos importarmos quanto tempo dormiremos.

A única coisa que importa é que as horas passem e chegue o momento que tanto se espera… até que ele chega, finalmente.
Por fim chegou a hora de pegar o meu avião com destino à mágica cidade imperial de Cusco. Nem sei como vão indo as coisas, só sei que sempre chego com a mesma emoção e a mesma expectativa.

Mas, claro, não é uma emoção qualquer, esta não é uma daquelas emoções difíceis de explicar, é uma emoção que só fica na nossa mente.
Eu ia fazer o Caminho Inca de quatro dias, excursão que, conforme li, é uma das melhores viagens de aventura que existem, recomendado até pela National Geographic, entre outros meios reconhecidos.
Tudo começa na cidade imperial de Cusco e, como todo bom agente de viagem, eu precisava chegar com dois dias de antecedência, no mínimo, para poder combater o mal de altura.

Comidas leves, beber bastante água e dormir muito, no primeiro dia, é uma boa opção para evitar o mal.
Depois de vencer todos os nossos males do primeiro dia de aclimatação, chegamos ao segundo, quando vamos receber todas as informações, conhecer o nosso guia do Caminho Inca e os companheiros de aventura. Neste dia, temos a última oportunidade para lembrar de empacotar na nossa mochila tudo que o operador recomenda, o que certamente lhes sugiro acatar ao pé da letra.

Começamos tomando o ônibus para deixar a cidade de Cusco. Vamos cruzar o Vale Sagrado admirando o rio Urubamba até o quilômetro 82, onde nos encontraremos com o resto da equipe de viagem, entre carregadores e cozinheiros. De acordo com o nosso guia, seriam seis horas de estrada até o primeiro acampamento em Huayllabamba. Esse seria o dia easy (fácil), comentavam. Quanto seria fácil? Em menos de duas horas, começamos a encontrar turistas caminhando na nossa direção. Olhando os seus rostos, não era difícil decifrar o que estava acontecendo, regressavam rendidos frente à natureza. Entretanto, conforme íamos avançando, víamos que a paisagem ficava cada vez mais bonita e, pouco a pouco, íamos entrando, ouvindo a explicação do guia, a história de como os incas puderam percorrer em horas o que nós levaríamos dias. Finalmente, depois de admirar lindas paisagens e a natureza, com boa comida e em boa companhia, percebemos que chegamos ao primeiro acampamento. Era o bom augúrio de que o melhor ainda estava por vir.

Até que chegou o dia “X”, o segundo dia desta aventura, para alguns, o dia da prova de fogo. Teríamos de subir aproximadamente de 3 mil m a.n.m. até 4.200, pelo passo de Warmiwayñusca, ou a mulher morta, formações rochosas que simulam uma mulher em seus aposentos. Prova de fogo, para alguns, torna-se desafio que, depois de vencido, anima a seguir com essa mágica aventura: chegar ao ponto mais alto e, sem dúvida, o mais difícil. Pelas subidas escalonadas que guiavam o nosso caminho, chegamos ao ponto mais alto, onde a vista é indescritível. Logo depois, o caminho desce até chegar ao nosso acampamento de Pacaymayo, a 3.600 m a.n.m., para descansar com a maravilhosa vista das estrelas que por estas terras não são nada ingratas.
Como toda manhã desta mágica aventura, nós nos levantamos cedinho com o cantar dos passarinhos. Com a vista e a tranquilidade da natureza ao nosso redor, tomamos o delicioso café da manhã, entre outras comodidades que dificilmente poderíamos ter até mesmo na nossa vida rotineira. Hoje é o dia de visitar as ruínas de Runkurakay. Depois, pegaremos um trecho do antigo caminho inca original, que se encontra em perfeito estado de conservação, até chegar a Sayacmarca 3.600 m a.n.m. Seguimos pelo caminho inca de pedra original, que entra até a parte da selva. Chegando a Phuyupatamarca, dependemos do que o nosso guia vai nos indicar, pois a afluência de turistas para Wiñaywayna, às vezes, excede a ocupação do acampamento. A recomendação é visitar no dia seguinte. Assim, chegamos ao nosso último acampamento.

Este é o dia diferente, chegou a hora de nos despedirmos da equipe de viagem que nos atendeu como se fôssemos parte da sua família, todos se tornaram nossos amigos. Eles, os carregadores e cozinheiros, despedem-se de nós e nos agradecem pela visita. Você percebe que, na realidade, os que estão agradecidos somos nós por toda dedicação e atenção que só em casa seria possível receber. Este é o nosso último café da manhã com eles.
Uma das vantagens de não dormir em Wiñaywayna, é ter a oportunidade de encontrar Inti Punku livre de ansiosos turistas que, como nós, desejam a foto perfeita da cidadela de Machu Picchu.

Depois de cinco horas maravilhando-nos com a natureza, chegamos às ruinas de Wiñaywayna tomados pela emoção. Avançamos rapidamente com o que restava das nossas forças até a porta do Sol ou Inti Punku. Por fim, chegamos ao motivo da viagem, a foto sonhada, o cartão postal perfeito de Machu Picchu e, junto, vem a satisfação de ter podido chegar e concluir a caminhada que nos enche de orgulho. Fica na nossa mente a lembrança dessa experiência maravilhosa e única. É um a menos na nossa lista de lugares que devem ser visitados ao menos uma vez na vida.

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